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A psicologia em torno da adoção


A adoção tem como principal objetivo propor um lar e uma família para as crianças/adolescentes que não as têm independentemente das condições de saúde, cor, raça, gênero ou idade. A adoção deixa de ser uma solução para as famílias que não têm filhos e passa a ser a proposta como uma solução para as crianças/adolescentes que não têm uma família e necessitam de um lar para viver (Solon, 2006).


Souto e Silva Junior (2017) afirmam que a adoção “é uma possibilidade de o sujeito reconstruir novos laços afetivos e de ter lugar marcado em sua história familiar”. Desta forma, a adoção de crianças e adolescentes se transcreve em aspectos rigorosos em consonância com a jurisprudência dos aspectos jurídicos e psicológicos que são auxiliadores neste processo de construções de vínculos familiares. A adoção é um instituto jurídico que procura imitar a filiação natural e gera laços de paternidade e filiação entre pessoas (Silva, 2016).


Silva (2016) destaca a importância do acompanhamento psicológico nesta fase, a fim de se detectar a presença desses comportamentos e qual é a leitura da dinâmica familiar envolvida nesse processo.


Contudo, diante de tantas discussões destaca-se a importância do papel do psicólogo na criação de vínculos em vista que segundo Machado, Féres-Carneiro e Magalhães (2015) na contemporaneidade podem ser observadas nas organizações familiares “uma valorização da vinculação de parentesco por aliança afetiva, como no caso da filiação por adoção”.


“Um projeto de adoção revela, além do desejo explicitado de ter um filho, necessidades específicas de cada sujeito, reflexos de suas histórias psíquicas, que repercutirão na relação a ser estabelecida com a criança” (Alvarenga & Bittencourt, 2013).


O processo de filiação se constitui em uma fase muito complexa do Processo de adoção. É necessária preparação tanto da criança quanto da família adotante, uma vez que nesta está presente à idealização, a espera, a desilusão. Outro fator que se deve considerar é a motivação que leva uma família a se dispor a adotar uma criança, quando esse fator surge de necessidades de fragilidade, é necessário desenvolver nestes a resiliência para enfrentar medos e angústias durante o processo adotivo. A idealização de um filho, não é característica apenas de famílias adotantes. Imaginar um filho ideal vem desde o gerar, onde os pais criam todo um futuro para esse novo membro. A criança por sua vez, não está imune a idealização de uma família. Desta forma, podemos afirmar que a atuação do Psicólogo se faz indispensável neste processo, em vista que o seu papel é mediar os conflitos característicos do processo de adoção.


Segundo Silva (2016) “a criança deixa de ser ela mesma, sentindo-se pressionada a assumir um papel preestabelecido, que dificilmente desempenhará satisfatoriamente: o comportamento manifestado, por ser contrário àquele desejado pelos pais, será atribuído à hereditariedade (da família biológica), acarretando o fracasso da adoção” percebe-se que a adoção é um processo longo onde depende de vários profissionais habilitados para atuar nas varas de família. Tendo em vista, como foco principal a preparação de ambos os lados, adotantes e adotados.


O trabalho do profissional de psicologia para atuar nos casos de adoção, desde a entrada da criança na instituição até, a pós – adoção, minimizando assim os casos de fracassos e devoluções. Como afirma Alvarenga e Bittencourt (2013), torna-se evidente a importância do trabalho do Psicólogo em processos de adoção. Chamamos a atenção para o fato de que cada caso demanda um tempo e um manejo específicos, nem sempre atualmente possíveis no trabalho institucional. A psicologia desempenha a arte de ouvir as particularidades de cada sujeito em suas angústias, medos e incertezas diante do processo adotivo, que por vezes, torna-se moroso dentro do sistema judiciário, pois não dão conta das especificidades de cada família, ficando assim, fica evidente o trabalho do psicólogo no processo adotivo. Em suma Silva e Santos (2014), afirma que, a Psicologia é estudiosa do terreno da singularidade e pluralidade humana, esta é convidada a assistir essa clientela em suas angústias, limitações e estranhezas, acolhê-la e acompanhá-la nos seus modos possíveis de serem mães e pais adotivos.


Os psicólogos tendem grandes desafios nas varas da Infância e da Juventude, pois muitas das crianças postas em adoção ainda não estão preparadas emocionalmente para serem inseridas em um novo núcleo familiar. Contudo, há uma necessidade de intermediação realizada por profissionais especializados durante o processo de colocação de criança e adolescentes em família adotiva. Insiste no fato de que muitas crianças disponíveis para a adoção não estão preparadas psicologicamente para ligarem-se a outra família, de modo que se deve priorizar a dimensão do tempo psíquico da criança em relação ao tempo jurídico (Alvarenga & Bittencourt, 2013).

 

Quando tratamos de pais adotivos, estes assumem:


Um papel importantíssimo na reconstrução da identidade de seus filhos, sendo fundamental para estes a construção simbólica de sua história de vida e das descontinuidades oferecida pelos pais adotivos. A adoção, para as crianças, significa ter uma nova história, porém, ao mesmo tempo em que oferece esperança, demarca perda e separações, principalmente no caso de crianças maiores que passaram por abrigos. (Machado, Féres-Carneiro, & Magalhães, 2015, Schettini Filho, 2009).


Na criação de vínculo, a princípio, se faz presente a falta de confiança, fruto do temor de um novo abandono. Mas, na maior parte dos casos, diante o posicionamento desses novos pais, essa confiança vai se estabelecendo aos poucos (Oliveira, Souto & Silva Junior, 2017).


Cabe aqui destacar a preparação de crianças e adolescentes para formar novos vínculos de filiação. A alta demanda de atendimento a crianças na condição de postulantes à adoção, somadas a baixa quantidade de profissionais contratados pelo governo e atuando nesta área, cria um ambiente propício à uma preparação ineficiente ou mesmo inexistente. A consequência disto é a dificuldade que a criança terá que enfrentar caso passe por um processo adotivo dificultoso. Não podemos esquecer que tanto a criança quanto os candidatos a pais têm uma expectativa em relação ao processo adotivo. Quando esta expectativa não ocorre como idealizado, seja parcialmente ou por completo, o grau de frustração fará com que ambas as partes passem por um sofrimento psíquico. O psicólogo deve atuar justamente na desmistificação deste processo, preparando as partes envolvidas para o sucesso e para o fracasso, deixando todos cientes que é um processo de alta complexidade.


Neste sentido, o papel do psicólogo fica evidente no sentido de acolher, acompanhar, na desmistificação do filho ideal-real, para que haja o favorecimento no processo adotivo. Conforme Alvarenga e Bittencourt (2013), os psicólogos procuram realizar atendimentos e orientações, objetivando facilitar a adaptação entre a criança e a família. A equipe técnica deverá ajudar a criança em seu luto pela mãe de origem, assim como aos futuros pais adotivos que nem sempre conseguem lidar com a rejeição.

 

O papel do psicólogo


O papel de um psicólogo é preponderante tanto antes, quanto durante e após o processo de adoção. No que se refere ao antes, o profissional psicólogo deve realizar sessões

com o interessado em adotar, esclarecendo possíveis dúvidas e questionamentos que esses tenham a respeito do processo, assim como promovendo um ambiente de escuta a respeito de medos e expectativas do indivíduo ou casal com a criança que está para chegar.

Durante a adoção, o psicólogo se faz presente em uma das etapas fundamentais do processo, a chamada entrevista preliminar, na qual é realizado um estudo psicossociopedagógico. O profissional da área da Psicologia, juntamente com um assistente social avaliam se o ambiente familiar é adequado para a chegada de uma criança, se a adoção releva benefícios reais para o adotando, bem como se os interessados estão

preparados e mostram compatibilidade com a adoção.

O psicólogo também se faz presente durante o tempo de convivência entre a criança e os interessados, e seu apoio pode ser imprescindível, ajudando os adultos na promoção de um ambiente adequado e a criança na melhor adaptação ao desconhecido.


Após o processo ser concluído, recomenda-se continuar com sessões com o mesmo psicólogo que esteve envolvido no processo, ou outro que consiga acesso às informações do processo de adoção. Além disso, o psicólogo atua como um mediador, através da tentativa de ajudar no investimento afetivo de forma saudável e estabilidade emocional, bem como na construção de vínculos de confiança entre o adotado e os então pais.


 

REFERÊNCIAS



Fonseca, F.M.M., Castro, I.A., Almeida, M.P., Araújo, N.E.V., Azevedo, R.M., & Vasconcelos, S.F. 2020. A contribuição da psicologia no processo de adoção. Pubsaúde, 3, a036. DOI: https://dx.doi.org/10.31533/pubsaude3.a036


Alvarenga, L. L., & Bittencourt, M. I. G. F. 2013. A delicada construção de um vínculo de filiação: o papel do psicólogo em processos de adoção. Pensando Familias, 17(1), 41-53.


SOARES, Tamara Cristina Barbosa. Preparação de crianças e adolescentes para adoção: estudo de caso. Vínculo, São Paulo , v. 18, n. 3, p. 74-85, dez. 2021 . Disponível em <http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1806-24902021000300012&lng=pt&nrm=iso>. acessos em 12 ago. 2022. http://dx.doi.org/10.32467/issn.19982-1492v18nesp.p414-434.

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